maranata – escutas telefônicas da máfia do dízimo da maranata na gazeta

Pastores no comando da Maranata aparecem nas investigações Ministério Público

Novos líderes são citados em gravações interceptações telefônicas da denúncia apresentada à Justiça

VILMARA FERNANDES | vfernandes@redegazeta.com.br

Cúpula da Maranata denunciada por ameaça e coação

 

Foto: Gabriel Lordêllo

 Gabriel Lordêllo

Desde a última terça-feira, a intervenção na Igreja Maranata está suspensa

Nas interceptações telefônicas citadas na denúncia apresentada à Justiça pelo Ministério Público Estadual (MPES), há citação do nome de pastores que agora estão no comando da Igreja Maranata.
Desde a última terça-feira, a intervenção na igreja foi suspensa por determinação do desembargador José Luiz Barreto Vivas. Em sua decisão, ele impediu que todas as pessoas que foram denunciadas ou que já respondem a processo criminal pelo desvio de recursos do dízimo doado pelos fiéis retornassem para a administração da igreja.

Mas podem retornar os membros do antigo Conselho Presbiteral da Igreja, cuja presidência já esteve nas mãos de Gedelti Gueiros, e que hoje se encontra em prisão domiciliar. Vão ser os membros desse conselho que vão indicar os novos diretores da instituição.

Alguns deles são citados na ação do MPES organizando, junto com os denunciados, as medidas a serem adotadas contra as testemunhas que supostamente foram ameaçadas.

Reuniões

Segundo os promotores, também foram alguns membros do Conselho Presbiteral que viabilizaram as condições para que os líderes da igreja – alguns deles já detidos – pudessem se encontrar em reuniões. O problema é que contra essas mesmas pessoas pesavam decisões da Justiça – as chamadas medidas cautelares – que os impedia de se encontrarem.

Algumas dessas reuniões foram agendadas no Maanaim de Domingos Martins, na Região Serrana, ou em outros prédios pertencentes à Maranata. Para os promotores, o intuito era o de burlar as decisões judiciais. Em uma das conversas, um pastor marca um encontro: “Na rádio, porque o pastor Gedelti não pode entrar em Jaburuna”, diz o trecho de uma interceptação telefônica feita pelo MPES.

São fatos, segundo os promotores do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), que justificaram o pedido de intervenção na igreja, feito à Justiça no mês de março. Há uma preocupação agora, segundo eles, com a forma como a igreja será administrada.

Trechos de gravações feitas com autorização da Justiça

Na denúncia apresentada pelo Ministério Público, nem sempre há indicação do nome do autor das frases – citam-se, apenas, quem são as pessoas envolvidas na conversa.

Enriquecimento
(Conversa entre a assessora de imprensa da igreja Beth Rodrigues e o pastor Marco Picone)
– “Nós temos que conseguir um argumento assim factível, acreditável da vida de Gedelti, da movimentação financeira dele entre 2009 e 2011, que segundo a matéria foi quase oito vezes maior que o valor declarado ao Imposto de Renda.” Beth diz: “Porque ele pode dizer: ‘Minha sogra morreu, e eu ganhei uma fazenda, enfim, deve ter uma razão’ (…)”

Imagem
(Conversa entre Beth Rodrigues e o pastor Marco Picone e Daniel Moreira)
– “Que o ataque à igreja, enquanto instituição, é melhor para eles, do que o enfrentamento frontal a Gedelti (…) que a igreja tem mais pernas para segurar este embate que a figura de Gedelti (…) a igreja tem base muito forte, o tempo pode recuperar a imagem, já Gedelti (…)”

Crise
(Conversa entre os pastor Marco Picone e Daniel Moreira)
– “Companheiro, Sérgio informou que dona Vera, esposa de Arlínio (pastor), vai depor amanhã (…) Terão que pedir para a Bárbara (advogada) acompanhar e depois vão ter de colocar o marido dela (Arlínio) para desmentir tudo o que a esposa mentirosa disser (…)”

Contatos
(Conversa entre Gedelti Gueiros, Ailton e Joabe)
– “Ações já estão sendo agilizadas em Brasília”

Provas
(Conversa entre Daniel Moreira, Marco Picone e Beth Rodrigues)
– “Se teria como melhorar a defesa de Gedelti, pois está muito levinho (…) pois além do parecer técnico do Espírito Santo, já encomendaram outro do Rio de Janeiro (…) é esconder prova pro momento certo”

Dossiês
(Conversa entre Daniel Moreira e pessoa não identificada)
– “Companheiro, preciso daquelas pastas sobre os nossos acusadores, ok?” “Ok. Estamos montando mais um jogo”.

Reuniões
(Conversa entre pastores Valério e Antonio Angelo.
O último foi vice-presidente denunciado pela igreja como responsável pelos desvios)
– “Gedelti ligou para Walace, ele quer fazer uma gravação em vídeo amanhã, às 8h. Quer fazer na rádio porque não pode entrar em Jaburuna, né?”

Ações
(Conversa entre Daniel Moreira Marco Picone)
– “Ontem, após uma reunião de oração ‘nosso amigo’ comentou com o Sérgio sobre uma ação de reparação de danos, e o Sérgio deu também uma ideia (…) preparar um material e colocar à disposição de quem quiser para entrar em juizados especiais com ações contra o jornal”

Jornal
(Conversa entre os pastores Daniel Moreira e Marco Picone)
– “(…) vão entrar com esse grupo de ações (…) eu vou aprovar e depois ele entra, tudo dentro da estratégia (…) dará um trabalho tremendo ao jornal, pois terão que viajar todo o Brasil para ver isso (…)” Daniel diz “que foi o Varella que deu essa ideia do juizado especial e mostraria um padrão que espalhasse para quem quisesse o material à disposição (…)”

Irregularidades
(Conversa entre Daniel Moreira e Beth Rodrigues)
– “O que eu quero dizer é que como uma instituição (igreja), ela tem que negar que as pessoas enriqueçam lá dentro (…)” “Quem quer que seja pode ter cometido uma, duas, ou três irregularidades, mas o processo de enriquecimento ilícito lá dentro é uma coisa que a gente tem que negar peremptoriamente (decisivamente), até que tenha havido, a gente tem que negar, né (…)”

Gaeco
(Conversa entre os pastores Daniel Moreira, João Batista e o advogado Gustavo Varella)
– “Acha que está na hora deles baterem, de dar um nocaute (…) Varella complementa: (…) mas dar uma cruzada de direita no focinho do Gaeco e do Ministério Público, tratar como leviano, irresponsável (…)”

O outro lado

“Piada de mau gosto”

O advogado Gustavo Varella, que faz a defesa de três dos cinco denunciados, classificou a ação do Ministério Público Estadual como “uma verdadeira piada de mau gosto”.

Ele destaca que não pode ser atribuída a Gedelti Gueiros, por ser o líder espiritual de maior expressão da igreja, todas as ações ocorridas na Maranata. “Isso é brincadeira. Mostra preconceito e desconhecimento dos promotores em relação ao funcionamento da Igreja Maranata”, assinalou Varella.

O advogado diz ainda que as acusações contra o pastor Amadeu Loureiro não procedem. Informa que Loureiro era amigo de longa data da testemunha que teria sido ameaçada.

Prova disso, segundo ele, é que a esposa da testemunha teria ligado para o pastor Amadeu, logo após a sua saída da prisão, ocorrida em março deste ano. Na ocasião, ela informou que as acusações contra Amadeu não passavam de um mal-entendido e que não houve nenhum tipo de ameaça. “Há até um e-mail que confirma isso. Vamos provar na Justiça”, disse Varella.

Já o pastor Elson Pedro dos Reis – explica o advogado – teria sido penalizado por estar presente no momento em que teria acontecido a suposta ameaça. “É uma ação absurda, sem propósito!”, acrescentou.

Varella e a assessora Beth Rodrigues preferiram não se manifestar sobre a citação de seus nomes nas interceptações telefônicas citadas na ação. Apesar das tentativas, A GAZETA não conseguiu falar com os advogados de Carlos Itamar e Mauro da Rosa.

 

Fonte: A GAZETA

http://gazetaonline.globo.com/_conteudo/2013/07/noticias/cidades/1451942-pastores-no-comando-da-maranata-aparecem-nas-investigacoes-ministerio-publico.html

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